Os Maias são uma obra intemporal de Eça de Queirós que, apesar de ser
camuflada como um romance, apresenta diversas críticas à sociedade portuguesa
desse tempo (que por vezes ainda são atuais).
Uma dessas críticas é à educação! Mas, de que forma é que Eça comentou as práticas educativas da época?
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Descobre tudo isto
e muito mais neste artigo escrito pela Beatriz Santos, Filipe Correia,
Margarida Miranda, Marta Filipa e Ricardo Rocha!
Para chegarmos aí, temos primeiramente que compreender a intriga principal e
secundária d’Os Maias.
Intrigas
N’Os Maias existem duas intrigas, a intriga secundária e a intriga principal, sendo que a intriga secundária é baseada na vida amorosa de Maria Monforte e Pedro da Maia.
Intriga Secundária: Pedro da Maia & Maria Monforte
Assim, a história de Pedro da Maia inicia-se com o seu nascimento, como resultado do casamento de Afonso e Maria Eduarda Runa, que apesar de atraente encontrava-se adoentada, sendo uma católica devota.
Após conflitos com a polícia, os três exilam-se em Londres, onde Pedro passou grande parte da sua infância.
Devido ao desgosto de Maria Eduarda pela educação inglesa, impede o filho de estudar num colégio protestante e manda vir o padre Vasques para educar Pedro de acordo com a educação típica portuguesa.
No entanto, esta educação retrógrada, fortemente criticada por Afonso, combinada com o protecionismo de Pedro por parte da sua mãe, que evitava que Pedro abandonasse a sua casa, tornam Pedro uma pessoa frágil, fraca e medrosa da vida. [mais à frente retomaremos este tema]
Posteriormente, devido à insistência de Maria, os três dirigem-se para Itália e finalmente retomam para Portugal.
Pedro, já mais velho, era descrito fisicamente como uma pessoa pequena e fraca, com uma face oval e olhos irresistíveis, que se assemelhavam a “um belo árabe”.
Já a nível psicológico, Pedro era indiferente à vida, não possuindo nenhuma curiosidade sobre o mundo e restringindo todo o interesse da sua vida a uma paixão forte pela mãe.
Devido a este desinteresse, Pedro sofria frequentemente de crises de melancolia negra, onde ele ficava murcho e mudo, com umas olheiras fundas.
O seu pai ainda pensou em enviá-lo para Coimbra para ir estudar, mas Afonso cedeu aos pedidos da mãe, que não conseguia imaginar-se a separar do seu filho mimado. No entanto, a doença de Maria piorou e acabou por morrer, levando a que o seu filho ficasse em sofrimento durante dois anos.
Passados estes dois anos, Pedro anima-se ao se apaixonar por Maria Monforte, filha de um homem responsável por levar escravos para o Brasil, sendo assim chamado popularmente como “negreiro”.
Maria era caracterizada como uma mulher com olhos maravilhosos, uma testa curta e clássica e com cabelos louros. Apesar de ter feito uma impressão em todos os homens de Lisboa, rapidamente perdeu este interesse devido aos negócios do seu pai.
Assim, Maria Monforte e Pedro começam a namorar, sendo que Pedro começa a escrever duas cartas por dia a Maria e dedica todo o seu tempo a esta paixão.
Este amor era descrito como:
Era um amor à Romeu, vindo de repente numa troca de olhares fatal e deslumbradora, uma dessas paixões que assaltam uma existência, a assolam como um furacão,...
o que evidenciava o desenlace trágico deste amor. Na verdade, sempre que deixava de receber cartas de Maria, Pedro ficava com enxaquecas, revelando o seu espírito frágil.
Um dia, Pedro pede ao seu pai para casar com Maria Monforte, recebendo uma recusa justificada com o emprego do pai de Maria. Esta recusa leva à separação de pai e filho, com a ida apressada de Pedro para Itália após se casar com Maria.
Em Itália têm uma filha e depois de retornarem a Lisboa, engravidam novamente, nascendo Carlos da Maia. Em Lisboa, os dois viviam uma vida de festa com serões frequentes, o que leva a que Pedro fique entediado com aqueles hábitos de luxo e de festa, principalmente quando via Maria acompanhada de outros homens.
Durante este período, o casal ainda tenta se reconciliar com Afonso, no entanto, todas as tentativas falham ou são adiadas por Maria.
Um dia, Maria Monforte foge com um italiano e com a sua filha, levando a que Pedro fique devastado e suplique por ajuda ao seu pai, dirigindo-se ao Porto, onde este vivia. Na madrugada do dia seguinte, Pedro acaba com a sua vida, com uma pistola.
Apesar de não ser mais falado de Maria Monforte, já quase no final do Livro, a restante história desta é descrita pelas outras personagens, principalmente pelo Sr. Guimarães. Então, após fugir de Portugal, Maria terá ido para Viena e depois para Paris, tendo ocorrido várias desgraças durante este período, como a morte do italiano que a acompanhava, a morte de uma das filhas e a fuga da outra filha.
Mais tarde na sua vida, adoece e morre quase na miséria, recusando sempre ajuda da família Maias.
Assim, a nível geral:
Pedro, o protótipo do herói romântico, era uma pessoa fraca, resultado da debilidade da sua mãe, do ensino português, da sua proteção exagerada e por viver durante o ultrarromantismo, levando a um predomínio da emoção, o que resultou num casamento apressado e falhado que acabou no suicídio.
Maria Monforte, também vítima do Romantismo, era leviana e amorosa, sem preocupações culturais ou sociais. Desta forma, tinha uma personalidade fútil, sendo fria, cruel e interesseira.
Acaba por ser a culpada por todas as desgraças da família Maias, ao levar ao suicídio de Pedro, separando Carlos e Maria Eduarda e até levando à morte por desgosto de Afonso da Maia!
Intriga Principal
Por outro lado, a intriga principal é baseada na história de Carlos da Maia e Maria Eduarda!
Esta começa com a chegada de Maria Eduarda a Portugal com o seu marido Castro Gomes e a sua filha Rosa. Maria não sentia nenhum tipo de afeto ou carinho em relação ao marido, ela apenas se encontrava com ele por gratidão, devido a coisas que o mesmo fez por ela.
A primeira vez que Carlos da Maia e Maria se vêem é no Hotel Central, enquanto Carlos esperava com Craft pelos seus amigos para jantar, sendo que este fica deslumbrado pela beleza de Maria.
Passado algum tempo, começam a namorar, sendo que Carlos acaba por pedir Maria em casamento, apesar de decidirem não avançar enquanto Afonso estiver vivo.
Já mais tarde, Ega em conversa com Guimarães descobre o passado de Maria Eduarda, acabando por reconhecer que esta é irmã de Carlos. Apesar disto, Carlos mantém a relação amorosa com Maria, apenas se separando dela após a morte de Afonso por desgosto.
Após isto, os dois partem de Portugal, indo Maria para Paris e Carlos para uma longa viagem de 10 anos pela Europa.